Se a dupla Dodô e Osmar estivesse viva, certamente estaria decepcionada em ver o que virou o Carnaval de Salvador. A cada ano que passa o povo perde mais o seu espaço. Camarotes gigantescos avançam pelas calçadas, tomando o pouco que ainda resta para o folião. As cordas dos blocos passam espremendo a tudo e a todos. Nem os próprios cordeiros, só porque estão do lado de dentro, perdoam.
A festa de momo virou isso! Se você tem 200, 300 reais para dar num camarote ou 1 000 para pagar num bloco, ok! Caso contrário, fica difícil curtir em paz. Brigas explodem, de cinco em cinco minutos, de todos os lados. Mãos no seu bolso, em busca de celular ou dinheiro, são freqüentes! Sem falar do empurra-empurra e pisão de pé. Ah, mas o Chiclete com Banana saiu sem cordas. E daí? Se uma cervejaria não estivesse injetando rios de dinheiro na banda e nos filhos de Bell, será que o povo ganharia este presente de “grego”?
Há muito tempo o capital é quem manda na festa de momo. Invadiram a quinta-feira, Dia dos Blocos de Samba no Campo Grande, para colocar o Chiclete. Pois é, amigos! Basta querer, porque poder, eles podem tudo. Basta aparecer com um $ na frente e está tudo certo. Lamento muito que a maior festa de rua do planeta tenha entrado nesse jogo de interesses e perdido a espontaneidade.
Agora uma coisa é certa, os “donos da folia” estão tendo que repensar o Carnaval. Os blocos estão perdendo força, não é a toa que muitos artistas começaram a sair sem cordas, bancados por patrocinadores. Mas, infelizmente, a nossa folia jamais voltará a ser aquela da Fobica, das marchinhas, da época em que todos ganhavam as ruas, brincavam, pulavam, cantavam, com dinheiro ou sem dinheiro, sem descriminação. Apesar de não ter vivido isso, sou capaz de sentir saudades!

Nenhum comentário:
Postar um comentário