Na manhã desta quarta-feira (14), fiquei encarregado de fazer a matéria sobre a destituição da diretoria do Esporte Clube Bahia. Confesso que assim que soube da decisão judicial fiquei surpreso. Quem poderia imaginar que uma “bomba” dessa às vésperas de um Ba-Vi, com o time como líder absoluto do Campeonato Baiano, com 33 pontos, sete a frente do segundo colocado? Mas o juiz Paulo Albioni não quis nem saber, assinou a sentença e nomeou o advogado Carlos Rátis para assumir interinamente o clube.
A decisão anulou as eleições do presidente Marcelo Guimarães Filho, ocorrida em dezembro do ano passado, e as dos conselhos deliberativo e fiscal, que aconteceram em janeiro. O motivo? Supostas irregularidades encontradas no pleito. O grupo de oposição reclama da exclusão de 68 conselheiros do clube pouco tempo antes das eleições e também da não divulgação da lista de sócios por parte da diretoria.
Primeiro estive numa agência de publicidade, ali na Avenida Tancredo Neves, onde os opositores comemoravam a decisão e traçavam novos rumos. Com a chegada da imprensa, alguns deles preferiram sair da sala para não aparecer na imagem. Sinceramente não entendi o porquê! O jornalista Nestor Mendes Júnior, um dos líderes do movimento, escrevia uma carta aberta à torcida tricolor, onde dizia que o grupo não queria tomar o poder, apenas democratizar o clube e cobrar transparência dos gestores.
De lá, segui para a sede de praia do Esporte Clube Bahia, na Boca do Rio, onde encontrei o senhor Carlos Rátis, acompanhado de uma oficial de justiça. Esbanjando educação, ele dizia ser uma pessoa neutra, sem nenhuma ligação com os opositores, muito menos com a diretoria tricolor. Falou ainda que estava ali para cobrar a lista de sócios, mas foi informado por um funcionário da sede que os computadores estavam quebrados e em conserto no escritório localizado no Empresarial Mundo Plaza. Por isso não seria possível ter acesso a tal relação.
Estranho, hein? Mas vamos lá, o objetivo do interventor em obter a lista de sócios, escondida há anos pela diretoria a sete chaves, é um só: convocar uma assembléia geral, eleger o conselho deliberativo e, posteriormente, o novo presidente do clube. Rátis fez questão de deixar bem claro que não iria mexer no departamento de futebol do tricolor, que iria sentar com os “antigos” gestores para tratar da administração, mas que o papel dele era, o mais rápido possível, realizar esta eleição. Ele ficou de continuar tentando, a todo custo, obter a lista.
A última pessoa com quem estive foi o advogado do clube, Ademir Ismerim. Ele me disse que, em no máximo 48 horas, vai entrar com um recurso de apelação e uma medida cautelar para dar efeito suspensivo a decisão do juiz. Ismerim se mostrou otimista por acreditar que o desembargador que vai analisar o pedido seja o mesmo que derrubou a liminar em favor da oposição na véspera das eleições em dezembro passado.
Acontece que não se trata mais de uma liminar e sim de uma sentença! Ou seja, uma decisão final do juiz. Numa entrevista ao vivo ao programa Brasil Urgente, Marcelo Guimarães Filho se mostrou bastante abatido e surpreso com a situação. Ele disse que o clima no clube é de bastante instabilidade entre os jogadores e comissão técnica.
Quem mais sofre com isso, sem dúvida, é o torcedor, que só queria acompanhar o BaÊA dele em paz, alheio a tudo isso! Pelo bem do Esporte Clube Bahia, só espero que tudo se resolva o mais rápido possível.
Bruno Sales